Esta parte é narrada pelo Gustavo
A Alice atendeu o telemóvel e afastou-se, em direcção à janela.
Alice – Diz.
A voz dela não era propriamente amável.
A – Não posso dizer o mesmo.
Aliás nada amável mesmo.
A – Não tenho nada para te dizer.
Dizia rispidamente, perto de desligar a chamada na cara da pessoa com quem estava a falar.
A – Então se eu não preciso de dizer nada, fala com uma parede que o efeito é o mesmo.
Desligou.
Gustavo – Está tudo bem?
A – Está. Bora ver o que há para o jantar…
Não estava nada bem, mas também não achei que fosse a altura mais apropriada para lhe perguntar o que se tinha passado.
Depois da forma como tinha estado a falar ao telemóvel o mais provável era descarregar a raiva toda em cima de mim, pelo que apenas concordei.
G – Vamos.
Mas será que ela não percebeu? Fogo, Gustavo andas mesmo a perder qualidades! No meio de tanta gaja porque é que foste logo gostar desta? A Lara estava ali mesmo prontinha a semear, e tu nada! Não, a Alice é que é boa. A Alice que não quer saber de ti…
E depois daquela conversa tinha de lhe ligar um atrasado qualquer! Como é que lhe vou dizer que gosto dela? Ela não vai acreditar, como não acreditou até agora…
A – Ei, Gustavo, está tudo bem?
G – Está porquê?
A – Estou aqui à meia hora a perguntar-te o que é que achas que faça para o jantar…
G – Ah para mim qualquer coisa serve…
A – Ok. (sorriu)
Como eu gostava daquele sorriso. Fodas** Gustavo estás mesmo mal! A gaja deu-te a volta!
A Matilde e o Simão entraram na cozinha.
Matilde – Hum, cheira bem.
O Simão sentou-se à mesa, na cadeira ao lado da minha enquanto que a Matilde foi-se juntar à Alice nas panelas.
Simão – Olha lá está tudo bem contigo? (disse baixinho para que as nossas companheiras das panelas não ouvissem)
(...)








