‘Mas o que é que está a tocar?’, abri os olhos. Na mesa-de-cabeceira o despertador tocava. Nem sequer me tinha apercebido de que já estava na hora de acordar, aliás, nem tinha noção de que estava a dormir.
Depois de ir à casa de banho, abri o armário. O dia estava solarengo, não havia sinal de nuvens na zona periférica. Vesti-me e saí de casa.
Tinha combinado com a Matilde irmos tomar um café naquela manhã. Cheguei à esplanada.
Lá estava ela.
Matilde- Olha quem é ela… A bela adormecida saiu do castelo!
Alice- Que exagero Matilde! Não me digas que foi assim tão agoniante passar um fim-de-semana sem me ver…
M- Não, agoniante foi aturar o Gustavo a noite inteira de Sábado por tu não teres saído connosco!
No rosto da Matilde formou-se um sorriso que dizia ‘estou ansiosa para que me contes tudo’.
A- Ai sim.
Na verdade o que ela queria fazer-me pensar, não estava a acontecer. Para mim era-me irrelevante o que ela andava a tentar fazer à semanas.
M- Vá lá Alice… Porque é que és assim para o rapaz?
A- Assim como, Matilde?
M- Má! O rapaz está apaixonado…
A- Deve estar deve.
O empregado vinha na nossa direcção.
Simão- Olha quem são elas… Por aqui de manhã meninas?
A – Por aqui de manhã, Simão? A trabalhar…
S – Pois parece que sim, temos de ganhar uns trocos não é verdade… Então o que é que vai ser?
M – Para mim pode ser uma meia de leite e um pastel de nata.
A – Um batido de morango e um pão-de-leite misto.
S - É para já.
Os olhos da Matilde não largaram o Simão enquanto ele não saiu do seu campo de visão.
A – Como é que isso vai?
M – Ahn, o quê?
A – Vá lá Matilde, não enganas um cego…
M – Não sei do que estás a falar…
A – Não sabes tu de outra coisa…
M – Não desvies o assunto, estávamos a falar do Gustavo!
(...)


