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quarta-feira, 13 de junho de 2012

Pedaços da Vida XXII

E cá estamos nós de volta.


Debaixo do braço direito trazia uma prancha e do na mão esquerda um cesto de piquenique. Saí do carro.

Alice - Estás a gozar. É que só pode!

Gustavo - Podes abrir o porta-bagagens se faz favor.

Abri-o.

G - Vamos surfar. - disse com um sorriso nos lábios.

A - Vamos?

G - Vamos. Anda. - abriu a porta do carro e pôs lá dentro.

Começou a guiar, não estava a seguir o caminho habitual.

A - Estás a ir para onde?

G - É segredo.

A - Hoje também tudo é segredo. - balbuciei.

Ele voltou a ligar o rádio. E passado um bocado voltou a falar.


G - Custa-te assim tanto ser minimamente simpática?

A - Custa-te assim tanto não deixar tudo em segredo?

Confesso que começo a ficar nervosa.

G - Gostas assim tanto de mim?

A - Como queiras.

Sorriu e continuou a guiar, passado uns quilómetros entrou por uma estrada de terra.

A - Oh Gustavo, tens a certeza de que é por aqui?


O carro baloiçava.


G - Cala-te um bocado!

A - E se eu não quiser?

G - Eu vou ser forçado a fazer com que queiras!

A - Uh! A tomar uma atitude, gostei!- toquei-lhe - estás a sentir o meu medo?

Sorriu e parou o carro.

A - Excelente sítio para fazer surf. Acho que aquela árvore estava à altura.

Ele desapertou o cinto.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Pedaços da Vida XXI

Este capítulo é a continuação deste, visto que o XX foi narrado pela Matilde.
Espero que ainda esteja mais ou menos em forma nisto!


Gustavo - Afinal não te vou pôr a casa.

Alice - Então? Vais deixar-me à beira da estrada a pedir boleia?

G - Era bem pensado, mas não.

Fez-se silêncio, eu não sabia o que dizer e já pensava no que é que lhe estaria a passar na cabeça. Até que decidi pôr fim às minhas questões.

A - Vamos onde, afinal?

G - Quando chegarmos vês.

Ele virou para casa dele.

A - Não posso ir para minha casa, para irmos para a tua?

G - Vou buscar uma coisa.

A - Mas afinal onde é nós vamos?

G - Liga à tua mãe e diz que não vais almoçar.

Quando disse isto já o carro estava parado à frente de casa dele.

A - Não vou almoçar? Mas vamos dar a volta ao mundo?

G - Quase.

Nisto saiu e bateu com a porta.

O que é que ele já andava a inventar, estava bem arranjada, à frente de casa dele com o telemóvel na mão, à espera que a minha mãe atendesse.

Mãe - Sim.

A - Estou mãe, olha não vou almoçar ok?

M - Vais almoçar onde?

A - Está bom tempo, e nós vamos ficar mais um bocado aqui na praia.

M - Está bem, até logo. Vê lá do sol!

A - Sim mãe, até logo.

Desliguei e ouvi a porta de casa dele bater, pouco depois ele estava a sair o portão com uma coisa debaixo do braço. Não podia acreditar que ele tinha ido buscar aquilo...

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Pedaços da Vida XX

Eu sei que já faz um tempo que não ponho aqui nada disto, e apesar de não estar grande coisa e da criatividade não estar no seu auge, achei que vocês já eram mais do que merecedoras do post. Muito obrigado pela vossa opinião, e espero não desiludir muito.

Para quem já esqueceu (o que seria compreensível) o último

(Matilde)

Entrei dentro do carro, lá fora, o Simão punha a prancha dentro do porta bagagens. O carro do Gustavo saía pelo estacionamento, e pelo que me parecia iam ambos calados.

A porta bateu, e o Simão entrou.

Simão - Então? Já posso?

Matilde - Podes o quê?

Pôs o sinto.

S - Não percebo porque é que não queres que eles saibam.

M - Pensei que já tinhas percebido que eu não quero estragar a relação deles. Nem adiantar a nossa...

S - Já estou a ficar esquecido do porquê de ter concordado com isso...

Começou a sorrir.

M - Porque me amas? Não te parece óbvio?

Ri-me, sabia que não era aquela a resposta que ele esperava.

S - Também... Mas à... (olhou para o relógio) Quase duas horas que não sou subornado.

Sorri. Soltei o cinto e beijei-o levemente nos lábios.


O fim-de-semana correra bem. Numa das noites acordáramos com uma terrível vontade de devorar bolachas, e entre uma e outra, e talvez uma conversa mais sincera, compreendera-mos, com isto perceba-se o Simão compreendeu, que gostávamos um do outro. Desde inicio que deixei bem claro a minha pouca sorte com relacionamentos, e a minha vontade de manter tudo em segredo, para que se corresse mal o Gustavo e a Alice não sofressem com o que poderia advir. Porque de uma coisa eu tenho a certeza, não vou de modo algum estragar o que lhes está a dar tanto trabalho a construir.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Pedaços da Vida XIX

Olhei para trás e reparei que o Gustavo estava a falar com o Tomás. 

Alice – Gustavo, vamos embora. 

Ele mandou um último olhar ao Tomás, pegou na prancha e veio também. Correu até perto de mim e pôs o braço por cima dos meus ombros.



A – Mas o que é que tu pensas que estás a fazer? 

A minha mão já estava a segurar-lhe no braço de forma a tirá-lo de cima de mim. 

Gustavo – Não faças isso, colabora comigo!

Sorriu, quase implorando-me que fizesse parte daquele teatrinho. E eu deixei.

(…)

Chegámos aos carros, o Gustavo abriu o porta-bagagens e pôs lá dentro a prancha. 

Simão – Alice, importas-te de ir com o Gustavo? Podes levá-la? 

Gustavo – Por mim tudo bem. 

Eles queriam ir juntos… Bora Alice, alinha. 

Alice – Por mim também. 

Entrei dentro do carro, ao mesmo tempo do Gustavo. Ele ligou o rádio onde tocava uma música qualquer dos The Script. 

Depois de uns momentos de silêncio entre nós, resolvi perguntar-lhe.

A – O que é que lhe disseste?

G – Para te deixar em paz.

A – E ele?

G – Acho que o deixei a pensar que andávamos. 

Pensei por momentos, aquilo era capaz de ser boa ideia. Ri-me.

A – Sempre a manifestar os teus sonhos, Gustavo…

G – Talvez tenhamos sonhos comuns…

Olhou para mim com um sorriso e piscou-me o olho.





Voltei a rir-me. Não ia deixá-lo perceber que talvez não estivesse totalmente errado.

A – No entanto não passam de sonhos.

Agora foi a vez de ele se rir. Gosto do riso dele, feliz, leve, suave, acolhedor. Único.

G – Não me provoques, Alice.

A – Senão o quê?

Riu-se de novo, no meu rosto estava com certeza um sorriso que visava a provocá-lo.

G – Senão não te deixo sair deste carro sem adiantar a minha prenda de Natal e tornar pelo menos um sonho realidade.

A – Então, vais ligar à Lara?

G – Ciúmes Alice?

Lá vinha o seu sorriso trocista.

A – Porque é que que haveria de ter ciúmes? Que eu saiba somos apenas amigos Gustavo.

Boa Alice, pode ser que ele não perceba a tua atrapalhação com a segunda frase.

Sorriu para mim e voltou a fixar a sua atenção na estrada.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Pedaços da Vida XVIII


Matilde – Oh Alice, aquele ali não é…


Alice – É Matilde!

Virei a cara para o outro lado da praia com esperança que ele não tivesse a lata de vir falar connosco. Mas foi em vão.

Tomás – Olá Alice. Matilde.

Matilde – Olá.

Ela que agora estava com cara de poucos amigos.

T – Alice, podemos falar?

Alice – Já te disse tudo o que tinha a dizer!

T – Matilde deixa-me falar com ela se faz favor…

M – Alice?

A – Não Matilde, deixa-te estar. Quem está mal, muda-se.

Olhei para ele, esperando que compreende-se o recado.

Atrás do Tomás surgiu o Gustavo e pouco atrás o Simão. E digamos que a cara do Gustavo não mostrava nem de perto nem de longe um ar amigável.

Gustavo – Algum problema?

T – E quem és tu? O cão de guarda?

Levantei-me da toalha.

A – Ouve lá mas quem é que tu pensas que és? Eu não quero saber de ti, não quero falar contigo. Mas se vens para aqui falar assim isto vai acabar mal.

G – Ai vai, vai…

O Simão olhava para o Tomás pronto para entrar em acção caso fosse necessário.

T – Tu é que sabes os otários com quem namoras.

Ri-me.

A – Vamos embora, isto ficou demasiado mal frequentado.

Agarrei na mala e na toalha e virei costas para sair da praia. A Matilde fez o mesmo, e o Simão pegou na prancha e na mochila.

- (Gustavo) –

Aproximei-me do tipo.

G – Ouve, deixa a Alice. Se tu voltas a magoá-la juro que dou cabo de ti, percebes?

T – Com que então andas a tentar comê-la? Não passas de um menino, ela nunca vai olhar para ti duas vezes!

Disse com ar trocista.

G – E quem é que te diz que já não olhou?

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Pedaços da Vida XVII

Demorou, mas chegou ;)

(…) 

Fechei a porta de casa, fui à cozinha onde todos jantavam.

Mãe- Então filha, correu bem? Senta-te aí que eu vou buscar outro prato.

Alice – Não mãe, não vale a pena. Nós parámos para comer, não tenho fome. Estou é um bocado cansada, vou para o quarto está bem?

Mãe – Claro, vai lá descansar.

Tinha sido um longo fim-de-semana, o Gustavo não se tinha calado com a história do sonho, e a Matilde e o Simão, apesar de terem andado esquisitos um com o outro na Sexta à noite, depois pareceu-me que se entenderam na perfeição.

Decidi ir dormir, já tinha combinado ir à praia com a Matilde e os outros na manhã seguinte, e o sono começava a apoderar-se de mim.

(…)


Na mesa-de-cabeceira o telemóvel vibrava, levantei a cabeça da almofada e atendi.

A – Estou.

Disse ainda com voz de sono.

Matilde – Não me digas que adormeceste! Já estou à tua porta à espera!

A – Desculpa Matilde, deve ter faltado a electricidade ontem à noite, o despertador não tocou. Mas dá-me dez minutos.

M – Despacha-te!

Levantei-me e fui-me despachar.

(…)

M – Dez minutos… Já lá devem estar à meia hora e nós aqui.

Dizia com cara de poucos amigos, mas também só tinham sido mais cinco minutinhos…

A – Desculpa.

(…)

Chegámos à praia e estendemos a toalha que aquela hora estava cheia de surfistas. Os rapazes já tinham vestido os fatos e estavam agora no meio dos outros surfistas.

M – Olha-me bem para aquele ali a sair da água…

A – Matilde em modo de caça!

Ri-me, e ela riu-se também.

M – Deixa de ser parva! Olha para aquele corpo.

A – O que é que tem?

M – O que é que tem?! Não deves estar a ver bem…


O rapaz vinha na nossa direcção. E eu sabia perfeitamente quem ele era.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Pedaços da vida XVI

A – Gustavo, não vamos recomeçar essa história. 

G – Não fui eu que comecei!

A – E se eu tivesse sonhado contigo? Acordaste-me portanto não deve ter sido propriamente um sonho…

G – Não, desculpa mas tu estavas a sonhar.

A – Ai sim? Como é que sabes?

G – Olha-me nos olhos e diz-me que não sonhaste comigo. Não, não espera.

Virou-se para a mesa-de-cabeceira e pegou na máquina fotográfica. 


G – Vou tirar uma foto para ver como é a tua cara quando estás a mentir.

Disse enquanto ligava a máquina e começava a formar-se um sorriso de quem estava a aprontar alguma na cara dele.

A – Mas estás parvo? Dá-me isso!

G – Não dou nada!

A – Gustavo!

Estávamos ambos a rir-nos, claramente na brincadeira.

Consegui finalmente tirar-lhe a máquina.

G – Mentes-me assim tanto para eu não poder saber como fica a tua cara?

Ria-se.

A- É, Gustavo! Eu estou perdidamente apaixonada por ti, só não quero que percebas quando eu te digo o contrário. Queres que repita para tirares a foto?

Sorri, enquanto lhe estendia a máquina.

G – Não, agora não estavas a mentir.

O olhar dele era agora sereno, calmo, sério.

A – Bem é melhor irmos dormir.

Deitei-me e ele deu-me um beijo na testa. Ia ser um longo fim-de-semana…

(...)

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Pedaços da vida XV

Queria agradecer a todos os que deixaram um comentário no post anterior. Obrigado.

Eram quase duas da manhã quando chegámos ao quarto. E agora três horas depois eu ainda me mexia na cama, sem conseguir pregar olho devido ao calor. 

G – Ei, Alice, estás acordada? (sussurrou)

A – Sim.

G – Bora à piscina, não aguento este calor.

A – Estava a ver que nunca mais dizias nada. Vou à casa de banho vestir o biquíni.

(…)

Cheguei à piscina pousei a toalha e dei um mergulho. A água estava fresca em comparação com o ar abafado. Vim à superfície. E nadei até ao meio da piscina onde tinha pé.

G – Está boa?

A – Anda lá!

O Gustavo mergulhou e veio à superfície bem chegado a mim. Estávamos perto, demasiado perto para não acontecer nada. O nosso olhar estava fixo um no outro. Senti a mão dele na minha cara. E os lábios dele cada vez mas perto dos meus. Até que acabou por beijar-me.

Mas tudo aquilo começou a ficar cada vez mais escuro.

G – Alice!

Alguém estava a abanar-me.

G – Acorda Alice!

A – Ahn? O quê?

G – Estás bem?

A – Não.

Estava decepcionada!

G – Não? Mas estás a sentir-te mal?

A – Não, está tudo bem não te preocupes.

G – Queres que te vá buscar um copo de água?

A – Não, deixa eu vou lá.

Cheguei à cozinha, abri o frigorífico, e pus a água no copo que repousava no lavatório.

Boa Alice!

Voltei para o quarto. O Gustavo estava deitado na cama, pelo que aparentava, à minha espera.

G – Melhor?

A – Sim, obrigado.

Sorri.

G – Sonhaste comigo?

A – Ahn, o quê?

Oh não, ele sabe! Como é que ele sabe? Não acredito!

G – Se sonhaste comigo.

A – Oh Gustavo estás a passar-te, mas que pergunta é que é essa?

Riu-se.

G – Tu disseste o meu nome.

A – Disse?

G – Disseste! Vá, conta lá como é que foi o sonho…
(...)

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Pedaços da vida XIV

Para acabar com essa curiosidade (ou talvez não...) ;)

Já todos tinham acabado de comer, e eu tinha acabado de levantar os pratos, e estava agora a passá-los por água no lavatório. A Matilde levanta-se e vem para o meu lado.

Matilde – Vão andando para ao pé da piscina que nós tratamos da cozinha e já vamos lá ter.

Simão – Não me vou opor, lavar a loiça não é propriamente o meu passatempo preferido.

E saíram os dois.

M – Vamos, fala o que é que se passa?

A – Nada Matilde.

M – Se queres mentir, pelo menos sê mais convincente.

A – Ele ligou-me.

M – Quem?

A – O Tomás (disse baixinho).

M – O quê? O que é que ele queria?

A – Falar comigo.

M – Sobre o quê?

A – Não sei desliguei-lhe o telemóvel na cara.

A Matilde virou-se para mim e abraçou-me.

M – Oh Alice, ele não te merece.

Ainda a Matilde não tinha acabado a frase quando o Simão entrou na cozinha.

S – Há por aí algum gelo?

A Matilde dirigiu-se ao congelador e tirou de lá uma daquelas barras com pedras de gelo.

M – Toma.

S – Ainda demora muito?

A – Não, não, já está quase.

Dito isto, voltou costas e saiu.

M – Tu achas que ele ouviu?

A – Não sei.

M – E se ele pensa que nós estávamos a falar do Gustavo e lhe vai contar?
(...)

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Pedaços da vida XIII

Esta parte é narrada pelo Gustavo

A Alice atendeu o telemóvel e afastou-se, em direcção à janela.

Alice – Diz.

A voz dela não era propriamente amável.

A – Não posso dizer o mesmo.

Aliás nada amável mesmo.

A – Não tenho nada para te dizer.

Dizia rispidamente, perto de desligar a chamada na cara da pessoa com quem estava a falar.

A – Então se eu não preciso de dizer nada, fala com uma parede que o efeito é o mesmo.

Desligou.

Gustavo – Está tudo bem?

A – Está. Bora ver o que há para o jantar…

Não estava nada bem, mas também não achei que fosse a altura mais apropriada para lhe perguntar o que se tinha passado.

Depois da forma como tinha estado a falar ao telemóvel o mais provável era descarregar a raiva toda em cima de mim, pelo que apenas concordei.

G – Vamos.

Mas será que ela não percebeu? Fogo, Gustavo andas mesmo a perder qualidades! No meio de tanta gaja porque é que foste logo gostar desta? A Lara estava ali mesmo prontinha a semear, e tu nada! Não, a Alice é que é boa. A Alice que não quer saber de ti…

E depois daquela conversa tinha de lhe ligar um atrasado qualquer! Como é que lhe vou dizer que gosto dela? Ela não vai acreditar, como não acreditou até agora…

A – Ei, Gustavo, está tudo bem?

G – Está porquê?

A – Estou aqui à meia hora a perguntar-te o que é que achas que faça para o jantar…

G – Ah para mim qualquer coisa serve…

A – Ok. (sorriu)

Como eu gostava daquele sorriso. Fodas** Gustavo estás mesmo mal! A gaja deu-te a volta!

A Matilde e o Simão entraram na cozinha.

Matilde – Hum, cheira bem.

O Simão sentou-se à mesa, na cadeira ao lado da minha enquanto que a Matilde foi-se juntar à Alice nas panelas.

Simão – Olha lá está tudo bem contigo? (disse baixinho para que as nossas companheiras das panelas não ouvissem)
(...)

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Pedaços da vida XII

Para sossegar a vossa curiosidade, aqui está ela...


Pousei os lençóis, e sentei-me ao lado dele.

Alice – Diz.

Gustavo – Eu… Eu gosto de uma rapariga.

A – Sim…

G – Não sei o que é que ela acha de mim…

A – Essas coisas não estão escritas na testa das pessoas Gustavo…

G – Sim, eu sei. Mas eu podia olhar para ela e perceber.

A – Se gostares mesmo dela isso não vai acontecer.

Parecia confuso.

G – Não percebi.

A – Quando gostas de uma pessoa tens sempre a mania de dramatizar e achar que ela não gosta de ti, mesmo que toda a gente já tenha percebido. Bem, depois há os palhaços…

G – Palhaços?

A – Aqueles que acham que todas gostam deles.

G – Ah.

A – Olha Gustavo eu acho que se gostas da miúda devias mostrar-lhe isso mesmo.

G – Claro… Depois ela não quer saber mesmo de mim.

A – Porquê?

G – Se eu tentar aproximar-me dela ela vai afastar-se…

A – Depende, se lhe ligasses de cinco em cinco minutos, andasses sempre atrás dela… Quer dizer, se fizesses isso comigo não ia gostar…

G – Pois…

O som do meu telemóvel começou a ouvir-se pelo quarto, (salvo pelo telemóvel).

A – Desculpa, deixa-me só atender.

Levantei-me e peguei no telemóvel, a chamada era de um número desconhecido. Atendi.

A – Sim?

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Pedaços da Vida XI


Chegámos ao quarto e pousámos as malas.

Alice – Conseguimos.

Gustavo – Onde é que te foste lembrar disso?

A – Muita capacidade criativa, burrinho.

Ri-me.

G – Sem dúvida gata.

Piscou-me o olho e riu-se também.

G – Se calhar dava jeito pôr uns lençóis na cama?

A – Matilde! Lençóis para a cama! (gritei)

Matilde – Já vou buscar. (gritou a Matilde)

G – Vou lá buscá-los.

Recapitulando essa tua excelente ideia Alice Bastos! Tu vais dormir na mesma cama que o Gustavo. Boa, sem dúvida alguma que foi de génio! Ah, deixa de ser parva é por um bom motivo, e tu também não estás realmente contrariada. (Pensei)

O Gustavo chegou com os lençóis.

G – Bora lá então.

Pegou nos lençóis e lançou-mos.

G – Um bocado pequenos, não?

A – São para cama de solteiro... Deixa, vou lá ver se ela encontra uns maiores.

Saí do quarto e virei logo na primeira porta.

A – Ei Mat-. Desculpem.

A Matilde estava sobre os braços do Simão, só tive tempo para pensar, boa Alice, acabaste de estragar o momento!

M – Desculpem o quê? Estávamos só a fazer a cama e eu tropecei.

Disse, atrapalhada.

S – Pois foi.

Aquele ‘pois foi’ não me tinha convencido, o Simão não tinha ficado propriamente à vontade com aquele meu súbito aparecimento, o que era bastante compreensível visto que tinha acabado de lhes arruinar a oportunidade de se entenderem.

A – Os lençóis que deste ao Gustavo são para cama de solteiro.

M – São? Desculpa, não tinha reparado.

Foi até ao armário e tirou de lá outro jogo de lençóis.

A – Obrigado.

Peguei nos lençóis, virei costas e fui para o meu quarto. Mal entrei estava o Gustavo sentado na cama.

G – Alice, preciso de falar contigo.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Pedaços da vida IX


Alice – Vá lá Matilde, despacha-te! Assim quando lá chegarmos já estão a entregar os diplomas.

Já estava sentada na cama da Matilde fazia vinte minutos.

Matilde – O que é que achas?

A
 – Estás linda Matilde. Vamos!

M – Bora.

A – A mala Matilde.

A Matilde pegou na mala e fomos para a paragem esperar pelo próximo autocarro para o estádio.

(…)

Interlocutor – Goloooooo Gustavo Silva!

O Gustavo virou-se para a bancada onde estávamos sentadas, olhou para mim e piscou o olho. Corei. No mesmo instante em que a Matilde soltou uma gargalha.

M - Estão bonitos…

A – Que foi?

M – Nada, nada. Fico feliz por vocês.

A – Quantos quartos é que tem a casa?

M – Dois, porquê?

(…)

O torneio tinha acabado e estávamos no carro a caminho do Alentejo. O Gustavo ia a conduzir, portanto sentei-me à frente para o Simão e a Matilde irem os dois atrás.

Simão – Então meninas o que é que acharam dos campeões?

M – Que modesto.

Gustavo – Não é isso que nós somos?

Rimo-nos todos.

A – É, eu acho que sim. Estiveram bem.

S – Só bem? Não deves ter visto o golaço do Gustavo.

A – Pronto estiveram muito bem, nem sei como não vos confundi com o Nani e o Cristiano Ronaldo.

S – Obviamente que eu era o Cristiano Ronaldo. Pela minha qualidade enquanto atleta claro.

A – Por acaso eu prefiro o Nani.

O Gustavo olhou para mim e sorriu. E eu sorri de volta.

Lá atrás falava-se do jogo animadamente.

A – Ei Gustavo, acerca daquilo que falámos no bar. Partilhamos o quarto hoje, pode ser? (sussurrei)

O Gustavo ficou atónico.

G – Ah sim, claro.

(…)

G – Ei meninos, desculpem interromper. Acho que chegámos

Pedaços da vida X

Esta parte é narrada pela Matilde.

Entrámos dentro da casa, igual desde as férias da Páscoa.

Alice – Onde é que são os quartos para ir pôr as malas?

Matilde – No corredor, para o lado direito, primeiras duas portas à direita.

Gustavo – Eu fico com a Alice.

Matilde – O quê? Alice!

A – Ficas com o Simão, ok?

A Alice e o Gustavo seguiram para o quarto sem esperarem pela minha resposta. Ao menos vão ficar juntos…

Simão – Parece que vamos ter de partilhar quarto.

M – Importas-te?

S – Achas? Mas se não quiseres posso dormir no sofá.

M – NÃO! Podes ficar no quarto.

Dirigimo-nos para o quarto e pousámos as malas.

A – Matilde! Lençóis para a cama! (gritou a Alice)

M – Já vou buscar. (gritei)

Fui ao armário e tirei dois jogos de lençóis. À porta apareceu o Gustavo.

G – Tens aí?

M – Toma.

Estávamos a fazer a cama quando tropecei nos lençóis, e caí levemente nos braços do Simão. A cara dele, ficou tão próxima da minha que podia sentir a sua respiração. E agora Matilde o que é que vais fazer? Pensa rápi-.

Pedaços da vida VIII


(Já ao balcão).

Alice – O que é que achas daqueles dois?

Gustavo – Sinceramente?! São a dupla mais cómica de sempre.

Rimos em conjunto.

A – Pago-te a bebida se me ajudares.

G – Nem penses nisso! Eu sou um cavalheiro! Eu pago a minha e a tua. E ajudo-te.

A – Pronto desculpa cavalheiro. Não fiques ofendido!

G – Qual é que é o plano?

A – Quanto a isso aceitam-se propostas.

O Gustavo sorriu.

G – Estou a ver. Vontade de entrar em acção mas a precisar de um criativo, portanto.

A – Nem mais.

G – Vamos deixá-los hoje. Parece que vão fazer o trabalho por nós.

Ri-me.

A - Pois parece que sim.

Na mesa o Simão estava a chamar-nos.

G – Bem, vamos lá salvar o Shrek e a Fiona, gata das botas.

A – Queres ser o quê? O Burro?

Rimos os dois. Talvez, mas só talvez nós pudéssemos resultar.

Chegámos à mesa e sentámo-nos, eu ao lado da Matilde e o Gustavo ao lado do Simão.

Matilde – Meninos, tivemos uma ideia.

Alice – Ai sim?

Eu e o Gustavo sorrimos um para o outro em simultâneo.

Simão – Sim. O que é que vocês acham de irmos passar o fim-de-semana ao Alentejo?

G - Parece-me excelente.

M – Os meus pais têm lá casa, e acho que é na boa irmos para lá este fim-de-semana.

A – Combinadíssimo, não é Gustavo?

O Simão e a Matilde, estavam completamente perplexos. Na cara deles estava chapada a pergunta ‘o que é que se passa aqui?’.

G – Claro. Eu posso levar o meu carro.

S – Feito. Sexta vão ver o torneio, não é?

Pedaços da vida VI


Passava pouco das dez horas, quando eu e a Matilde saímos de minha casa em direcção à paragem de autocarros que nos levaria até casa do Simão.

A Matilde usava um vestido cor-de-rosa claro que fazia uma saia rodada, com pormenores em branco, e levava uma bolsa branca com um pequena flor da mesma cor do vestido.

Já eu envergava uma sai branca rodada com rosas vermelhas que me revestia um terço das minhas pernas, um top preto, e um pequeno casaco branco; e levava uma bolsa de ‘pele’ da mesma cor do cinto.

E ambas levávamos uns belos sapatos de salto alto, os meus eram pretos e os dela brancos.

Passava pouco das dez e meia quando tocámos à campainha do apartamento do Simão, pouco depois ele abriu-nos a porta com uma cerveja na mão.

Simão - Boa noite donzelas.

Alice – Boa noite Simão.

Entrei e cumprimentei-o, atrás de mim, Matilde fez o mesmo.

Matilde – Boa noite.

S – Então e as outras?

A – Elas não puderam vir.

S – E não foram as únicas.

No sofá, estava o Gustavo também com uma cerveja na mão, e com a televisão ligada, onde estava a dar uma série policial.

Gustavo – Boa noite meninas.

M – Boa noite Gustavo.

A – Boa noite. (Sorri) Os outros?

A Matilde já se tinha instalado no longo sofá em frente da televisão, ao lado do Gustavo, enquanto eu tinha ficado um pouco para trás com o Simão.

S – Pois, eles também não vêm.

Sentei-me no outro sofá e chamei o Gustavo. É hoje Matilde Dinis, é hoje! (pensei). O Simão foi-se sentar ao lado da Matilde e começaram a conversar.

Eram quase onze e meia quando saímos do apartamento. O Simão e a Matilde ainda não se tinham largado, agora iam pouco mais à frente, a conversar animadamente. Para trás tinha ficado eu e o Gustavo.

G – Sexta vais ver o torneio não é?

A – Qual torneio?

G – De cartas – disse ironicamente - O que é que tu achas?

O Gustavo sorriu, um sorriso nervoso.

A – Talvez…

Entrámos no carro. A Matilde e o Simão à frente e nós atrás. Eu já sabia que ia, até porque o Simão também lá ia estar, e era capaz de apostar que a Matilde ia arranjar uma forma de lá ir parar.

Pedaços da vida VII

Esta parte é narrada pela Matilde, espero que gostem ;)


O Simão estacionou o carro no parque e seguimos no calçadão até ao bar. Entrámos no bar. Tinha um ambiente acolhedor e uma música ambiente. A noite ainda não tinha começado. Lá encontrámos uma mesinha ao canto da sala e fomos sentar-nos.

Gustavo – Vou buscar qualquer coisa para beber. Querem alguma coisa?

Alice – Eu vou contigo!

Simão – Não, eu não quero nada por enquanto.

G – E tu Matilde?

M – Também não, obrigado.

A Alice e o Gustavo iam pedir as bebidas, e ali estava eu e o Simão. Os dois no canto do bar, completamente isolados.

A Alice tinha razão, eu gostava dele, realmente gostava. Mas eu também sabia que podia não ser recíproco, o Simão não era do tipo de rapaz de ter namoradas. Não que eu o achasse capaz de me magoar, pelo menos propositadamente. Eu sei que ele nunca o faria. Mas também sei que ele não queria nada sério.

S – Mas por acaso acho muito boa ideia irmos passar uns dias ao Alentejo.

M – Pois também foi o que eu achei. Podíamos combinar e ir lá passar um fim-de-semana.

S – Por mim é quando quiserem, só trabalho de semana.

M – Que tal este fim-de-semana?

O Gustavo e a Alice estavam à espera das bebidas e enquanto isso iam trocando sorrisos. Ainda bem que ela tinha seguido o meu conselho pelo menos uma de nós estava bem.

S – O que achas de irmos os quatro?

M – O quê? Desculpa estava distraída.

S – Nós os quatro no Alentejo.

Pára tudo. Nós os quatro. Toda a gente sabia que o Gustavo estava caidinho pela Alice, isso não era novidade para ninguém. O que queria dizer que ele ia fazer de tudo para passar o maior tempo possível com ela. O que me deixava completamente sozinha com o Simão. E o mais importante, ele sabia disso.

M – Parece-me excelente.

Sorri. E o Simão retribuiu.

O Simão agitou a mão para chamá-los. E eles vieram.

S – Aqueles dois estão muito sorridentes.

M – Pois, parece-me que sim.

E ambos nos ria-mos.

Pedaços da vida V


Para Gustavo Silva:
Não, obrigado. Vemo-nos depois ;)

Matilde – Não percebo essa tua necessidade constante de negação. Se ele fosse feio ou até mesmo girinho, eu tentava perceber-te, mas assim…

Alice – Agora não quero ninguém Matilde!

M – Alice, já passaram quase dois meses.

A – Até podia ter passado um ano. Não tem nada a ver com o Tomás.

A Matilde permaneceu em silêncio.

A – Simplesmente estou bem sozinha.

Sorri, um sorriso que pedia a compreensão da Matilde.

M – Talvez tenhas razão. Mas não acabes com as esperanças do Gustavo, podes mudar de ideias.

Matilde piscou-me o olho.

A – Ai, pronto está bem.

Sorri.

M – Eu continuo a achar que isso vai dar mel.

Matilde soltou uma gargalhada.

A – Talvez, nunca se sabe. Mas até lá vou permanecer assim.

M – Vou mandar-lhes mensagens a avisar de hoje à noite.

A – Faz isso. Eu vou ver o que tenho aqui no armário.

(…)

Mensagem de Beatriz Almeida:
Desculpa Matildezinha, arranjei uns miúdos para tomar conta e já não posso dizer que afinal não vou.
Divirtam-se ;)

Mensagem de Gabriela Sousa:
Vim com os meus pais ao Porto não vou poder ir.

Mensagem de Daniela Henriques:
Vim agora do emprego, e amanhã entro cedinho. Não vou poder ir. Vida de trabalhador é assim.
Manda beijinhos a todos ;)

M – Ei Alice, acho que somos só nós e os rapazes.

A – Então?

M – As miúdas não vão poder ir.
  (…)

Pedaços da vida III


Alice – Não sei onde é que queres chegar com esse assunto…
Matilde – Sabes perfeitamente Alice! O rapaz está apaixonado.
– Tão apaixonado quanto eu.

O Simão chegou com o nosso pequeno-almoço.

Simão – Quem é que está apaixonado?
A – Não sei. Matilde queres dizer ao Simão quem é que está apaixonado?

A Matilde corou, mas não deu parte fraca.

M – O Gustavo.

No rosto da Matilde formou-se um sorriso malicioso que ela fez questão de lançar na minha direcção.

S – Ah mas disso já toda a gente sabe não é Alice?
A – Não sei Simão, é?
S – Ninguém tem dúvidas disso Alice. Bem vou trabalhar, bom apetite.

Simão sorriu e voltou costas em direcção ao balcão do café.

M – O que é que te passou pela cabeça?
A – Oh, vá lá… Quando é que vocês andam com isso?
M – Quando vocês andarem com isso.
A – Ah! Então admites que há mesmo alguma coisa.
M – Bem vamos comer.
– Pois, pois agora deu-te a fome.

(…)

S – Então como é, logo à noite vamos lá ver o bar da praia?
A – Vamos!
M – Não sei…
S – Claro que sabes! Ás dez e meia em minha casa? Ficamos por lá um bocado e depois vamos todos juntos.

A – Por mim tudo bem.
M – Não sei se posso ir…
A – Claro que podes! Não te preocupes Simão ela vai lá estar!
S – Então avisem a Gabriela, a Daniela e a Beatriz, que eu aviso os rapazes.
A – Até logo então.

Saímos do café e seguimos em direcção aos prédios onde morávamos.

A – O que é que te passou pela cabeça?
M – Porquê?
A – ‘Não sei se posso ir…’? Tu não pensas noutra coisa sem ser em poder ir, estás a tentar enganar quem?
M – Bem, vamos dar a volta ao teu armário ou ao meu, primeiro?

Vá eu quero opiniões, manifestem-se, 
o que é que estão a achar das personagens? :)

Pedaços da vida IV



Passava pouco do meio-dia quando chegámos a minha casa, pelo caminho tínhamos passado pela zona comercial, e acabámos por não resistir em entrar numa loja ou outra.

Alice - Bom dia.
Matilde – Bom dia

Na sala estava a Carlota, com uma chávena de café na mão. Provavelmente tinha acabado de acordar, pela cara de sono que ainda estava a exibir.

Carlota - Bom dia.
A - A mãe e o pai vêm almoçar?
- A mãe fez o favor de me acordar para dizer que não vinham.

A - Ok. Estás com fome?
C – Olha para a minha cara, parece-te que me apeteça comer?
– Pronto, pronto, desculpa. Fica lá com o teu mau humor matinal que nós vamos para o meu quarto. Daqui a bocado já desço para fazer o almoço.

Subimos até ao meu quarto que ainda tinha a cama por fazer. A Matilde sentou-se na secretária enquanto eu comecei a fazer a cama.

M – Posso ir à net?
A – Claro que podes! Ficas para almoçar?
M – Tenho de avisar a dona Madalena.
A – Então liga lá à tua mãe e diz-lhe que almoças cá.

Enquanto a Matilde falava com a mãe eu entretia-me a arrumar a roupa que se ia acumulando no sofá.

M – Olha Alice a minha mãe diz que pode ser desde que ama- … Não acredito!
A – O quê?
M – Alguém anda muito concorrido no facebook…

A Matilde sorria maliciosamente.

A – Mas tu não ias ao TEU facebook?
M – Eu disse que ia à net… “ Parece que logo à noite vou ver-te. Finalmente!”, “Queres que passe por tua casa para te dar boleia?” – lia com uma voz do estilo ‘uh, olha só o que ele disse’.

Agora, Matilde ria-se.

M – Eu não acredito que ele te anda a mandar estas mensagens e tu achas que não se passa nada.
A – Chega para lá, deixa-me responder-lhe.